Breve introdução dos meus estudos sobre: Educação e Capitalismo
Para explicitar a realidade educacional do Brasil, é necessário entender os condicionamentos econômicos, políticos e sociais que o país vive no momento, pois o sistema educacional resulta da evolução desses fatores. E para a explicitação desses condicionamentos, se estabelece ênfase no âmbito do Estado, entendendo esse como o resultado da relação geral da estrutura (econômica, política e social) do país.
A organização do estado brasileiro é embasada dentro dos moldes de sociedade capitalista ocidental: classes dominantes, que detêm o capital e classes dominadas que possuem apenas a força de trabalho. Dentro da lógica da correlação de forças, o Estado fica composto - enquanto estrutura de gestão - pela classe que domina, pois ela detém o capital, sendo esse o fator determinante do poder no sistema capitalista. As instituições jurídicas, políticas e culturais da superestrutura do sistema, que por serem controladas pelos detentores do capital, os dominantes, garantem sua preservação no topo da hierarquia do sistema. E dentro desse jogo de interesses entre as classes sociais é que se construiu o sistema educacional brasileiro. E por resultado dessa lógica relacional é que a educação acabou tornando-se veículo ideológico das classes dominantes, pois o sistema educacional do Brasil é ligado quase que inteiramente ao estado, seguindo assim o mesmo caminho de preservação de classes.
A educação é responsável pela reprodução e construção do saber em todos os seus sentidos e lugares, ocupando assim um papel político, formador de idéias, possibilitando ao educando - futuro cidadão - instrumentos para futuramente exercer papéis sociais variados. Por essa influência social que têm a educação, principalmente nas classes populares (com poucas opções de acesso a outros meios de capitação de conhecimento) é que se torna importante a manipulação do sistema educacional pelos dominantes, que estabelecem o ensino como fator da alienação popular, distorcendo a função da educação e do educador em prol da manutenção do status quo da elite politicamente dominante.
Essa influência desfigura os deveres - seus contornos humanistas - da educação e distorce a atuação da mesma na sociedade. Não que a educação tenha que se isolar e excluir os fatores externos, pois é dever dela preparar o educando para construir e exercer cidadania, e para isso ele tem que conhecer sua sociedade. A questão é que a educação não chega com a mesma intensidade a todas as camadas sociais, assim desfigurando a atuação da escola e transformando os princípios de igualdade em pura ilusão. No lugar de proteger o potencial individual do aluno, a educação se contra diz, prendendo-o numa alienação de classes, onde seu potencial não é explorado; pelo contrario é abafado (isso para as classes dominadas). Percebe-se então um choque entre o dever da educação com os interesses do sistema capitalista.
Após essa observação se percebe que existe uma dualidade no sistema educacional brasileiro: um lado preparando patrão (dominantes) e outro lado o funcionário (dominados). A elite, tanto industrial quanto agrária, administram os dois lados dessa escola dualista, encaixando-a no modelo capitalista. A educação, em especial a da rede pública, é deixada em um jogo conflituoso podendo perder seus objetivos principais, que são voltados para a formação da autonomia do ser humano. Não é interessante para as classes dominantes que a parte desprivilegiada do dualismo educacional forme intelectuais, pois, dotados de maior grau de intelectualidade (autonomia de pensamento e criticidade), seus conhecimentos poderiam ameaçar sua hegemonia. Então se desvaloriza a educação, se reduz o investimento e se desvia a atenção do problema, fazendo com que o potencial popular seja abafado (por ser temido).
Essa dicotomia educacional acaba por interferir em todos os desmembramentos da educação, afetando todos os setores e profissionais envolvidos. Os professores em especial, são uma das classes mais atingidas nesse meio profissional, pois sentem na pele, literalmente, todos os efeitos da desvalorização educacional; desde seu medíocre salário até a falta de estrutura do local de trabalho. A profissão de professor no Brasil é realmente instável.
Para se dar o desfecho final e entender a relação da desvalorização do professor com a crescente queda na procura pelos cursos superiores em licenciatura, é necessário compreender outra relação, a do trabalhador e capital. Maria de Fátima Costa Félix (1989, p.37) explica essa questão:
"(...) a relação entre o trabalhador e o capital como de fato no contexto das relações sociais engendradas no modo de produção capitalista. A subordinação da força de trabalho ao capital na sociedade é a conseqüência mais imediata da relação social que se estabelece entre as classes sociais numa situação historicamente determinada, em que o processo de produção tem base concreta a produção de mercado e mais-valia" (FÉLIX, 1989).
O ser humano realmente acaba por virar um produto, valorizado dependendo do seu conteúdo e conhecimento profissional. Por essa valorização profissional a pessoa procura se especializar em algo, para futuramente lucrar com o mesmo, esse é um dos motivos para talvez, participar de um curso superior em determinada instituição de Ensino, pois o certificado do Ensino Superior ainda é um dos facilitadores para a entrada no mercado de trabalho, podendo proporcionar um bom salário.
Seguindo o óbvio, pode-se afirmar que raramente a pessoa que tem opção de fazer um curso superior vai escolher uma profissão que não lhe trará grande retorno financeiro - embora estes possam estar no âmbito da satisfação pessoal. A idéia, pelo menos em termos, do primeiro curso é a de autovalorização profissional e lucro futuro - ter uma profissão e, talvez, um empreso - e não só absorver conhecimento; idéia essa puramente capitalista, perdendo, assim, o vínculo do bem-estar profissional (fazer o que gosta), embora isso possa ser discutível, pois pode haver a conciliação entre o prazer e as necessidades em termos de emprego e salário. Dessa maneira, o ingresso no Ensino Superior, aparentemente, já não possui a lógica da formação da individualidade, mas um pressuposto para a sobrevivência básica presente na idéia de lucros e ganhos econômicos cada vez maiores. Perde-se assim, nesta lógica, a possibilidade de contraposição ao sistema, pois se não há a preocupação pelo próprio indivíduo de formação em termos de autonomia, ele continuará a ser coadjuvante em seu processo de condição de dominado.
Concluindo, podemos afirmar que a desvalorização da educação ocorre devido a fatores externos que acompanham uma evolução política, econômica e social do capitalismo, que por sua vez segue a regra de manutenção da hegemonia de uma classe no poder. Mesclando essa desvalorização com a relação trabalho/capital, se justifica a queda na procura pelos cursos de licenciatura, pois mesmo que gostem da profissão e tenham inclinação para o magistério, os pré-vestibulandos escolhem uma profissão mais tranqüila e que tenha um retorno maior em termos financeiros.
Referências Bibliográficas:
FÉLIX, Maria de Fátima Costa. Administração escolar: um problema educativo ou empresarial? Cão Paulo: Cortez: Autores Associados, 1986.
FREITAG, Bárbara. Escola, estado e sociedade. 4 ed. rev. São Paulo: Moraes, 1980.
SAVIANI, Demerval (et all.), MENDES, Durmeval Trigueiro (coord). Filosofia da educação brasileira. 6 ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1998.
A organização do estado brasileiro é embasada dentro dos moldes de sociedade capitalista ocidental: classes dominantes, que detêm o capital e classes dominadas que possuem apenas a força de trabalho. Dentro da lógica da correlação de forças, o Estado fica composto - enquanto estrutura de gestão - pela classe que domina, pois ela detém o capital, sendo esse o fator determinante do poder no sistema capitalista. As instituições jurídicas, políticas e culturais da superestrutura do sistema, que por serem controladas pelos detentores do capital, os dominantes, garantem sua preservação no topo da hierarquia do sistema. E dentro desse jogo de interesses entre as classes sociais é que se construiu o sistema educacional brasileiro. E por resultado dessa lógica relacional é que a educação acabou tornando-se veículo ideológico das classes dominantes, pois o sistema educacional do Brasil é ligado quase que inteiramente ao estado, seguindo assim o mesmo caminho de preservação de classes.
A educação é responsável pela reprodução e construção do saber em todos os seus sentidos e lugares, ocupando assim um papel político, formador de idéias, possibilitando ao educando - futuro cidadão - instrumentos para futuramente exercer papéis sociais variados. Por essa influência social que têm a educação, principalmente nas classes populares (com poucas opções de acesso a outros meios de capitação de conhecimento) é que se torna importante a manipulação do sistema educacional pelos dominantes, que estabelecem o ensino como fator da alienação popular, distorcendo a função da educação e do educador em prol da manutenção do status quo da elite politicamente dominante.
Essa influência desfigura os deveres - seus contornos humanistas - da educação e distorce a atuação da mesma na sociedade. Não que a educação tenha que se isolar e excluir os fatores externos, pois é dever dela preparar o educando para construir e exercer cidadania, e para isso ele tem que conhecer sua sociedade. A questão é que a educação não chega com a mesma intensidade a todas as camadas sociais, assim desfigurando a atuação da escola e transformando os princípios de igualdade em pura ilusão. No lugar de proteger o potencial individual do aluno, a educação se contra diz, prendendo-o numa alienação de classes, onde seu potencial não é explorado; pelo contrario é abafado (isso para as classes dominadas). Percebe-se então um choque entre o dever da educação com os interesses do sistema capitalista.
Após essa observação se percebe que existe uma dualidade no sistema educacional brasileiro: um lado preparando patrão (dominantes) e outro lado o funcionário (dominados). A elite, tanto industrial quanto agrária, administram os dois lados dessa escola dualista, encaixando-a no modelo capitalista. A educação, em especial a da rede pública, é deixada em um jogo conflituoso podendo perder seus objetivos principais, que são voltados para a formação da autonomia do ser humano. Não é interessante para as classes dominantes que a parte desprivilegiada do dualismo educacional forme intelectuais, pois, dotados de maior grau de intelectualidade (autonomia de pensamento e criticidade), seus conhecimentos poderiam ameaçar sua hegemonia. Então se desvaloriza a educação, se reduz o investimento e se desvia a atenção do problema, fazendo com que o potencial popular seja abafado (por ser temido).
Essa dicotomia educacional acaba por interferir em todos os desmembramentos da educação, afetando todos os setores e profissionais envolvidos. Os professores em especial, são uma das classes mais atingidas nesse meio profissional, pois sentem na pele, literalmente, todos os efeitos da desvalorização educacional; desde seu medíocre salário até a falta de estrutura do local de trabalho. A profissão de professor no Brasil é realmente instável.
Para se dar o desfecho final e entender a relação da desvalorização do professor com a crescente queda na procura pelos cursos superiores em licenciatura, é necessário compreender outra relação, a do trabalhador e capital. Maria de Fátima Costa Félix (1989, p.37) explica essa questão:
"(...) a relação entre o trabalhador e o capital como de fato no contexto das relações sociais engendradas no modo de produção capitalista. A subordinação da força de trabalho ao capital na sociedade é a conseqüência mais imediata da relação social que se estabelece entre as classes sociais numa situação historicamente determinada, em que o processo de produção tem base concreta a produção de mercado e mais-valia" (FÉLIX, 1989).
O ser humano realmente acaba por virar um produto, valorizado dependendo do seu conteúdo e conhecimento profissional. Por essa valorização profissional a pessoa procura se especializar em algo, para futuramente lucrar com o mesmo, esse é um dos motivos para talvez, participar de um curso superior em determinada instituição de Ensino, pois o certificado do Ensino Superior ainda é um dos facilitadores para a entrada no mercado de trabalho, podendo proporcionar um bom salário.
Seguindo o óbvio, pode-se afirmar que raramente a pessoa que tem opção de fazer um curso superior vai escolher uma profissão que não lhe trará grande retorno financeiro - embora estes possam estar no âmbito da satisfação pessoal. A idéia, pelo menos em termos, do primeiro curso é a de autovalorização profissional e lucro futuro - ter uma profissão e, talvez, um empreso - e não só absorver conhecimento; idéia essa puramente capitalista, perdendo, assim, o vínculo do bem-estar profissional (fazer o que gosta), embora isso possa ser discutível, pois pode haver a conciliação entre o prazer e as necessidades em termos de emprego e salário. Dessa maneira, o ingresso no Ensino Superior, aparentemente, já não possui a lógica da formação da individualidade, mas um pressuposto para a sobrevivência básica presente na idéia de lucros e ganhos econômicos cada vez maiores. Perde-se assim, nesta lógica, a possibilidade de contraposição ao sistema, pois se não há a preocupação pelo próprio indivíduo de formação em termos de autonomia, ele continuará a ser coadjuvante em seu processo de condição de dominado.
Concluindo, podemos afirmar que a desvalorização da educação ocorre devido a fatores externos que acompanham uma evolução política, econômica e social do capitalismo, que por sua vez segue a regra de manutenção da hegemonia de uma classe no poder. Mesclando essa desvalorização com a relação trabalho/capital, se justifica a queda na procura pelos cursos de licenciatura, pois mesmo que gostem da profissão e tenham inclinação para o magistério, os pré-vestibulandos escolhem uma profissão mais tranqüila e que tenha um retorno maior em termos financeiros.
Referências Bibliográficas:
FÉLIX, Maria de Fátima Costa. Administração escolar: um problema educativo ou empresarial? Cão Paulo: Cortez: Autores Associados, 1986.
FREITAG, Bárbara. Escola, estado e sociedade. 4 ed. rev. São Paulo: Moraes, 1980.
SAVIANI, Demerval (et all.), MENDES, Durmeval Trigueiro (coord). Filosofia da educação brasileira. 6 ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1998.

Um comentário:
ei...você já está craque nesta coisa de HISTÓRIA...hein?!?!?!
continue assim e será um professor super- hiper polêmico, é desses que nossas escolas precisam ...ok????????
abrçs e bons estudos.
tia Selma(LAMOUNIER)
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